Pitu no bafo

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O pitu é um enorme camarão de água doce. Comum nos igarapés ao redor de Macapá, o crustáceo é a principal a fonte de renda de muitos habitantes da região.

A captura do pitu somente pode ser feita durante a pacuema – a vazante da maré. Nesse período, as armadilhas são checadas e reabastecidas com novas iscas. O nome da armadilha usada na captura do pitu é matapi. Feito com fibras de palmeiras, o matapi é parecido com uma gaiola de formato cilíndrico com cerca de 40 cm de comprimento e 25 cm de diâmetro. Nas extremidades, ele apresenta uma espécie de funil que facilita a entrada dos camarões e dificulta sua saída. No corpo do instrumento, uma janela é usada para colocar a isca e retirar os pitus capturados.

A isca usada para atrair os camarões de água doce é conhecida pelo nome de ponheca. A mais usada é o farelo de babaçu umedecido. A isca é enrolada em folhas como se fosse uma trouxinha, furada com espinhos, e amarrada dentro do matapi antes de ser devolvido para dentro d’água. O local ideal para colocar os matapis são as partes do rio de menor correnteza. Ali eles irão permanecer até a próxima vazante, quando devem ser checados faça chuva ou faça sol.

Os pitus são sensíveis ao calor e não devem ficar expostos ao sol por muito tempo. É ideal que sejam comercializados ainda vivos. Por isso, ao tirá-los do matapi é sempre bom ter um balde ou caixa de isopor com água e sob a sombra da canoa.

A especialidade do restaurante da Flora, em Santana, há 15 km de Macapá, é o pitu no bafo. Enormes e vermelhos, os pitus possuem uma carne que desmancha na boca quando feito da maneira correta. O acompanhamento regional ideal é molho de tucupi, farofa e gotas de pimenta-de-cheiro.